Filosofia x Auto Ajuda
Dia desses pela manhã caminho perto de casa… pós-chuva, clima ameno nesse Rio réio quente… quando vejo um senhor de farta barba num degradê cinza escuro para branco, trança no cabelo, lutando contra o sono, sentado em um canteiro. Sua figura remetia a um sábio ancião, postura ereta, mesmo com o vai-não-vai dos olhos semi-cerrados, pernas cruzadas em plena rua do Catete.
Entre as mãos um livro entreaberto com a página marcada pelo dedo médio para não se perder. Apesar de eu não ser um grande leitor, nutro muita curiosidade pela leitura alheia. Gosto de ler os títulos avulsos e imaginar sobre o que eles tratam, se um dia irei lê-los…
Creio que esse interesse por títulos veio lá pelos 10 anos. Datas como dia das crianças etc… os presentes em brinquedo eram sempre condicionados à escolha casada de um livro por meu pai. Certa vez, apenas de olho no brinquedo, peguei o livro com a capa mais interessante à primeira vista. Infelizmente não lembro mais qual era. Ou tratava-se de uma obra imprópria para a idade ou de muito mal gosto, logo censurada por meu pai.
Ao perceber que sua missão em me aprisionar no mundo da literatura não obtinha o êxito esperado, levou-me pela mão à seção de artes. Já que o lance era a capa, largou-me entre os principais pintores modernos e contemporâneos. Acabei escolhendo um de Dali. Gostei dos elefantes com pernas de girafas. Tempos depois captei sua mensagem.
Tenho certeza que esse dia foi a causa de um sonho recorrente na juventude: Em todas as livrarias, bibliotecas que entrava todos os livros tinham a mesma capa. Precisamente aquela capa dura em azul escuro com letras douradas de uma coleção de clássicos universais. Pois então, todos volumes praticamente iguais, variava apenas o número de páginas. Os títulos, desta feita, saltavam aos olhos e transitvam pelo salão. Desde então sempre abro um olho gordo sobre os títulos alheios…
De volta à vaca fria, o título do livro que pendia entre as mãos do aparente sábio ancião era Viver, Perder e Ganhar…
Parece ser mais um manual de auto-ajuda sobre como “ser emocionalmente saudável”, “ter uma carreira de sucesso”, “fazer uma pequena fortuna” e vai além… papapááá. É impressionante como as pessoas conseguem ler a mesma coisas escritas cretinamente diferentes.
Na essência nada mais é do que Beber, Cair e Levantar… esta sim uma profunda e fecunda filosofia de vida. Para que embrulhar com papel de presente? Se cada faz seu percurso do seu modo mesmo… eu gosto de cambalear de vez em quando, nada de correr em linha reta atrás de um foco. Por que?
Deixe comigo…
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